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sábado, 23 de agosto de 2014

Série: Religiões - CRISTIANISMO


            O Cristianismo é uma religião monoteísta – ou seja, acredita na existência de um único deus. Ele se baseia nos ensinamentos deixados por Jesus de Nazaré, o qual acreditam ser o Filho de Deus, o Cristo ou o Messias. É dividido em três grandes vertentes: o catolicismo, a ortodoxia oriental e o protestantismo.

A Bíblia
            Como texto religioso, ou escrituras sagradas, o Cristianismo tem a Bíblia, que é considerada pela Igreja como uma escritura de inspiração divina – revelada por Deus. A Bíblia foi escrita entre 1445 e 450 a.C. (livros do Antigo Testamento), e 45 e 90 d.C. (livros do Novo Testamento), por quarenta autores. Boa parte dos historiadores acreditam que os primeiros livros foram escritos mais recentemente – acredita-se que o Pentateuco, por exemplo, foi escrito apenas após o Cativeiro Babilônico (o exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilônia).
            De acordo com a interpretação literal do livro de Gênesis – o primeiro da Bíblia –, Deus criou a luz, o céu, a terra, os astros, os animais e, por fim, o homem, à sua imagem e semelhança. Tudo isso, em seis dias, pois no sétimo dia descansou. Para muitos cristãos e judeus, a criação descrita pela Bíblia não deve ser levada de modo literal, mas de forma metafórica para compreender a criação do Universo. Isso não impede que algumas correntes fundamentalistas do Cristianismo defendam a leitura literal dos textos bíblicos, rejeitando a idade da Terra e do Universo estipuladas pela Ciência – defendem que o Universo foi criado em seis dias, há cerca de dez mil anos atrás. Essa corrente também pode ser definida como criacionista.
            A leitura da Bíblia, de fato, é complicada. No livro de Gênesis, por exemplo, é dito logo no primeiro capítulo, no versículo 27, que Deus criou o homem e a mulher, à sua imagem e semelhança, para multiplicarem-se e encher a terra. Contudo, no segundo capítulo, já no sétimo dia, enquanto descansava, é dito no versículo 5 que ainda não havia plantas nos campos, pois não chovera, e não havia homem para lavrar a terra. E, então, no versículo 7 do segundo capítulo, Deus criou o homem; e no versículo 22 é criada a mulher. Um pouco confuso, não?

Origens
            Com suas origens no Mediterrâneo Oriental, o Cristianismo rapidamente se alastrou, tanto em abrangência como em influência. No século IV já era considerado como a religião dominante no Império Romano.
            Nesse período, a religião começou a disputar espaço com o Paganismo. Em 392 surgiu a primeira proibição dos cultos pagãos. A partir de 435, foi instaurada a pena de morte àqueles que insistissem a fazer rituais pagãos. Mesmo após ceder ao Cristianismo, os pagãos sofreram a cristianização de suas festas, que passaram a ter um novo sentido. Tudo que a Igreja não conseguia destruir, no que se referia às antigas práticas pagãs, ela adaptava aos moldes cristãos. Houve um período em que a fé era dupla: os pagãos acreditavam em Jesus, mas não abandonavam inteiramente as suas práticas.
            Durante a Idade Média, o Cristianismo se espalhou por toda a Europa, adquirindo novos seguidores e, após a Era das Descobertas, com os trabalhos missionários e a colonização, chegou às Américas. Pouco após isso, começou a tão famosa “Caça às Bruxas”, onde as pessoas eram perseguidas por suas crenças e práticas pagãs – durante 400 anos, houve muitas mortes com acusações de bruxaria. Grande parte dos acusados eram adeptos da medicina natural, eram curandeiros e “bruxos” caçados por médicos que tentavam implantar, ali, a medicina científica.

Simbologia
           Para os cristãos, um único deus rege o Universo e a vida humana. Um deus onipotente, onisciente e onipresente. Segundo o Cristianismo, Deus é eterno e, assim, existe como três seres eternos: o Pai, o Filho e o Espírito Santo – a Santíssima Trindade (aceita pela maioria das denominações cristãs, exceto pelo monoteísmo judaico). Outro ponto muito importante, é a figura de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Jesus é tido como um exemplo, que veio à Terra para ser sacrificado e permitir que o caminho dos homens até o céu seja alcançado.
            A Igreja é o corpo místico de Cristo na Terra, representando a sua continuidade. As mais importantes são: a Igreja Católica, as Igrejas Protestantes e a Igreja Ortodoxa.
            O culto cristão envolve a oração e a leitura alternada dos salmos ou de passagens bíblicas. São cantados hinos a Deus, Jesus ou ao Espírito Santo, mas também aos anjos e santos (no caso dos católicos, episcopais e ortodoxos). Boa parte das denominações cristãs têm o domingo como o dia de culto. Outras, no entanto, têm o sábado como um dia de guarda, um dia sagrado. Um fato interessante é que, no caso das Igrejas Batistas, Adventistas, Pentecostais e algumas outras, o batizado é feito apenas quando o indivíduo é maduro o bastante para decidir por si, com a certeza de que quer seguir o caminho da fé.
            O Cristianismo tem como seu principal símbolo a cruz, que representou a inserção do plano material e transcendental (que está além dos limites conhecidos do Universo); depois, significou também a ressurreição. Outro símbolo conhecido é o Ichthys, um peixe estilizado – a palavra, em grego, significa “peixe” –, que serve como um acrônimo para Iesus Christus Theou Yicus Soter (Jesus Cristo, filho de Deus, Salvador). Em suas raízes, as letras Alfa e Ômega também eram utilizadas como símbolo da religião, simbolizando que Cristo era o princípio e o fim de todas as coisas. A âncora, também já utilizada, representou a salvação da alma que alcançou o bom porto.

Fontes:

domingo, 21 de abril de 2013

O ungido de Deus


Eleito em 2011 como Deputado Federal, Marco Antonio Feliciano, empresário e também Pastor Evangélico da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento esteve envolvido em muitas polêmicas relacionadas com a sua posição religiosa dentro da política. Desde o início de 2013, quando foi eleito como Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, as críticas e protestos por conta de suas declarações aumentaram consideravelmente.

O modo como Feliciano interpreta a Bíblia, a escritura sagrada de sua religião, é o motivo pelo qual o torna alvo de toda essa discussão. Tal atitude do Deputado Federal demonstra um certo equívoco de sua parte, uma vez que os textos da Bíblia produzem diferentes significados dependendo do contexto em que é inserido.
A interpretação se baseia na descoberta do significado e do sentido de algo - geralmente ocasionado por ação humana. Um texto pode, por si só, conter inúmeros significados de acordo com o contexto em que é inserido. A Bíblia, por exemplo, é um livro milenar que carrega consigo sentidos diversos, e em cada povo que a segue, segue de maneira diferente.

Enquanto Presidente da CDHM, Feliciano deveria lutar, estudar e projetar novas propostas contra a ameaça ou violação de direitos humanos, sem deixar a sua religiosidade interferir tão seriamente da formo como vem interferindo, lutando apenas pelos princípios de sua religião.
Vivemos em um país mestiço, multicultural e laico. Precisamos, então, começar a pensar como tal.
Não é o fato de discordar com Marco Feliciano que irá levar o religioso ao descontentamento de seu Deus.
Estamos falando dos direitos de pessoas que, como esses religiosos, têm uma família, trabalham, estudam, e têm sentimentos.
Criticar as declarações públicas do Deputado Feliciano tornou-se algo ofensor, para a visão dos religiosos. Mas vocês esquecem de quantas declarações a figura faz menosprezando as opiniões daqueles que não o seguem.
Marco Feliciano é como qualquer outro homem do país. Sua diferença é a de que ele está no Poder e sabe que a sua palavra exerce mais poder. O Deputado não tem o direito de tirar os direitos de outrem.

E deixar Feliciano, e todos os outros políticos que agem igualmente, no Poder é o mesmo que estar nos sentenciando, pois chegará uma hora em que ninguém vai ter direito a mais nada.
O que é correto, então? Questionarmos ou acatarmos?